segunda-feira, 26 de maio de 2008


Sinta Mais. Pense Menos


Pense menos, sinta mais. Intelectualize menos, intua mais.

Pensar é um processo decepcionante, ele faz você sentir que está fazendo grandes coisas. Mas você está apenas construindo castelos no ar. Pensamento nada mais são do que castelos no ar.

Sentimentos são mais materiais, mais substanciais. Eles o transformam. Pensar sobre amor não vai ajudar, mas sentir amor está fadado a mudá-lo. Pensar é muito apreciado pelo ego, porque o ego se nutre de ficções. O ego não pode digerir qualquer realidade, e o pensar é um processo fictício...

Mude da mente para o coração, do pensar para o sentir, da lógica para o amor. E a segunda mudança é do coração ao ser - porque ainda há uma camada mais profunda em você, onde os sentimentos não podem alcançar. Lembre-se destas três palavras: mente, coração, ser. O ser é a sua natureza pura. Em volta do ser está o sentimento e em volta do sentimento está o pensamento. O pensar está muito longe do ser, mas o sentir está um pouco mais perto; ele reflete alguma glória do ser. É como num por do sol, o sol sendo refletido pelas nuvens e as nuvens enchendo-se de belas cores.

Elas mesmas não são o sol, mas elas estão refletindo a luz do sol. Os sentimentos estão mais próximos do ser, assim eles refletem alguma coisa do ser. Mas tem que ir-se além dos sentimentos também. E entào o que é ser?

Não é nem pensar, nem sentir, é puro não-ser. Você apenas é.

Texto recebido por e-mail

Osho

Dalai Lama


Minha mensagem é a prática do amor, da compaixão e da bondade. Estas qualidades são muito úteis para vivermos nosso cotidiano mais harmoniosamente, e também muito importantes para a sociedade humana como um todo.


Uma profunda compaixão é a raiz de todas as formas de adoração.


Onde quer que eu vá, sempre aconselho as pessoas a serem altruístas e bondosas. Tento concentrar toda a minha energia e força espiritual na disseminação da bondade. É o que há de mais essencial.


A bondade é o que realmente importa. A bondade, o amor e a compaixão combinados são sentimentos que levam à essência da fraternidade. São os alicerces da paz interior.


Com sentimentos de ódio e rancor, é muito difícil alcançar a paz interior. Neste sentido, as religiões e crenças são convergentes. Em todas as grandes religiões do mundo, a ênfase é no espírito de fraternidade.


São os inimigos que verdadeiramente nos ensinam a vivenciar sentimentos de compaixão e tolerância. As guerras surgem porque não há compreensão do lado humano das pessoas. Ao invés de conferências e encontros políticos, por que não convocar as famílias a fazerem um piquenique para que se conheçam mutuamente, enquanto suas crianças brincam juntas?


Nos tempos antigos, quando havia uma guerra, o embate era corpo a corpo. O vitorioso entrava em contato direto com o sangue e o sofrimento do inimigo durante a batalha. Hoje, as guerras adquiriram uma proporção muito mais horrenda. Um homem, sentado em uma sala, aperta um botão e mata milhões de pessoas instantaneamente, sem ao menos ver o sofrimento humano que infligiu. A mecanização da guerra e a automação do conflitos humanos são, cada vez mais, uma ameaça à paz mundial.


Sempre acreditei que a determinação humana e a verdade prevaleceriam sobre a violência e a opressão. No mundo de hoje, em todos os lugares, há mudanças importantes ocorrendo, que poderão afetar profundamente nosso futuro e o futuro da humanidade, bem como nosso planeta. Decisões corajosas por parte de vários líderes mundiais propiciam a resolução pacífica de conflitos. A esperança de haver paz, preservação do meio ambiente e uma abordagem mais humana aos problemas do mundo parece estar mais presente que nunca.


Ninguém pode prever o que acontecerá em algumas décadas ou séculos, por exemplo, qual o impacto que o desflorestamento terá sobre o clima, o solo, as chuvas. Temos muitos problemas porque as pessoas estão centradas em seus próprios interesses, em ganhar dinheiro e não estão pensando no bem-estar da comunidade como um todo. Não estão pensando na Terra a longo prazo, e nos efeitos ambientais adversos sobre o homem. Se nós, da atual geração, não refletirmos sobre estas questões agora, as gerações futuras não terão como lidar com elas.


Muitos de nós juntam-se sob o mesmo sol resplandecente, falando línguas diversas, vestindo indumentárias diferentes e até mesmo possuindo crenças distintas. Contudo, nós todos somos idênticos como seres humanos e individualmente únicos. Desejamos todos, indistintamente, a felicidade e não o sofrimento.


Mesmo que não possamos resolver certos problemas, não devemos nos frustrar. Como humanos devemos enfrentar a morte, a velhice e doenças, que, tal qual um furacão, são fenômenos naturais que fogem ao nosso controle. Devemos enfrentá-los, não podemos evitá-los. São sofrimentos que já bastam em nossa vida. Por que criarmos mais problemas por apego à nossa ideologia ou porque pensamos de maneira diferente? É inútil e triste! Milhões de pessoas sofrem com esse tipo de problema. É um verdadeiro desperdício, visto que podemos evitar o sofrimento adotando uma atitude diferente e reconhecendo a humanidade à qual as ideologias deveriam servir.


Rancor, ódio, ciúme: não é possível encontrar a paz com eles. Podemos resolver muitos de nossos problemas por meio da compaixão e do amor. Só assim nos desarmaremos e encontraremos a verdadeira felicidade. Uma das maiores virtudes é a compaixão. A compaixão não pode ser comprada numa loja de departamentos ou fabricada por máquinas. Ela advém do crescimento interior. Sem paz de espírito, é impossível haver paz no mundo.


Na nossa vida, cultivar a tolerância é muito importante. Com tolerância, pode-se facilmente superar as dificuldades. Caso você tenha pouca ou nenhuma tolerância, ficará irritado com as mínimas coisas. Em situações difíceis, terá reações extremadas. Em minha vida, já refleti muito a respeito desta questão e sinto que a tolerância é algo que deve ser praticado no mundo inteiro, no seio da sociedade humana. Mas, quem nos ensina tolerância? Pode ser que seus filhos o ensinem a cultivar a paciência, mas é seu inimigo quem irá ensinar-lhe a prática da tolerância. O inimigo é seu mestre. Mostre-lhe respeito, ao invés de ódio. Dessa forma, a verdadeira compaixão irá brotar de seu interior e essa compaixão é a base de tudo aquilo que você é e acredita.


Bens e compensações materiais são absolutamente necessários à sociedade humana, a um país, a uma nação. Ao mesmo tempo, o progresso material e a prosperidade somente não podem levar à paz interior. A paz interior vem de dentro. Portanto, nossa atitude perante a vida, perante os outros e principalmente em relação às nossas dificuldades conta muito. Quando duas pessoas enfrentam o mesmo problema, atitudes mentais distintas fazem com que o problema seja de mais fácil resolução para uma pessoa do que para outra. Desta forma, o que realmente nos diferencia é a perspectiva interna de cada um.


Se colocarmos os níveis de consciência mais sutis a nosso serviço, estaremos expandindo nossa mente. Assim sendo, as virtudes originárias da mente podem se expandir ilimitadamente.


A compaixão e o amor são as virtudes mais preciosas da vida. Por serem muito simples, são difíceis de serem colocados em prática. A compaixão só poderá ser plenamente cultivada à medida que se reconhece que cada ser humano é parte da humanidade e pertencente à família humana, independente de religião, raça, cultura, cor e ideologia. A verdade é que não há diferença alguma entre os seres humanos.


Sem amor, a sociedade humana encontra-se em situação difícil. Sem amor, iremos enfrentar problemas terríveis no futuro. O amor é o centro da vida.


Se tiver amor e compaixão por todos os seres sencientes, em especial por seus inimigos, este é o verdadeiro amor e a verdadeira compaixão. O amor e compaixão, nutridos por seus amigos, esposa e filhos, não são verdadeiros em sua essência. São apego, e esse tipo de amor não pode ser infinito.


Insisto em afirmar que as principais religiões do mundo — budismo, cristianismo, judaÍsmo, confucionismo, hinduismo, islamismo, jainismo, sikhismo, taoismo, zoroastrismo — possuem os mesmos ideais de amor, o mesmo objetivo de beneficiar a humanidade por meio da prática espiritual, e a mesma determinação de aprimorar seus praticantes como seres humanos. Todas as religiões pregam preceitos morais para o aperfeiçoamento da mente, do corpo e da fala. Todas nos ensinam a não mentir, roubar ou tirar a vida de outras pessoas. A essência de todos os preceitos morais preconizados pelos grandes mestres da humanidade é o não-egoísmo. Esses mestres tinham como objetivo remir os praticantes de ações negativas, frutos da ignorância, e conduzi-los ao caminho do bem.


Se percebemos a humanidade como sendo una e singular, iremos constatar que as diferenças são secundárias. Com atitude de respeito e preocupação pelo próximo, experimentamos a felicidade. Só assim criamos a verdadeira harmonia e fraternidade. À sua maneira, tente cultivar a paciência. Modifique sua atitude. As mudanças vêm com a prática. A mente humana tem esse potencial. Aprenda a treiná-la.


A nossa sombra interior, a que chamamos de ignorância, é a raiz de todo o sofrimento. Quanto mais luz houver, menos a sombra se manifestará. A luz é o único caminho para a salvação, para alcançar o nirvana.


Deve haver um equilíbrio entre o progresso espiritual e o material. Atinge-se esse equilíbrio por meio de princípios calcados no amor e na compaixão. O amor e a compaixão são a essência de todas as religiões, que têm muito a aprender entre si. O objetivo primordial de todas as religiões é criar seres humanos mais tolerantes, mais compassivos e menos egoístas.


Os seres humanos são dotados de uma natureza tal que não deveriam apenas possuir bens materiais, mas deveriam antes possuir sustento espiritual. Sem o sustento espiritual, torna-se difícil adquirir e manter a paz de espírito.


Para cultivar a sabedoria, é preciso força interior. Sem crescimento interno, é difícil conquistar a autoconfiança e a coragem necessárias. Sem elas, nossa vida se complica. O impossível torna-se possível com a força de vontade.

Fonte: http://www.dharmanet.com.br/dalai/

Quem Sou Eu?


Quem sou eu?
Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo.
Eu posso ver e sentir meu corpo,
E o que pode ser visto e sentido não é o verdadeiro Vidente.
Meu corpo pode estar cansado ou excitado,
Doente ou saudável, pesado ou leve,
mas isso nada tem a ver com meu Eu interior.
Eu tenho um corpo, mas eu não sou meu corpo.

Eu tenho desejos, mas eu não sou meus desejos, eu posso conhecer meus desejos,
e o que pode ser conhecido não é o verdadeiro. Conhecedo.
Desejos vêm e vão, flutuando através de minha percepção,
mas eles não afetam meu Eu interior.
Eu tenho desejos, mas não sou desejos.

Eu tenho emoções, mas eu não sou minas emoções.
Eu posso sentir minhas emoções,
e o que pode ser sentido não é o verdadeiro Senciente.
As emoções passam através de mim,
mas elas não afetam meu Eu interior.
Eu tenho emoções, mas eu não sou emoções.

Eu tenho pensamentos, mas eu não sou meus pensamentos.
Eu posso conhecer e intuir meus pensamentos,
E o que pode ser conhecido não é o verdadeiro Conhecedor.
Pensamentos vêm a mim e pensamentos me deixam,
mas eles não afetam meu Eu interior.
Eu tenho pensamentos, mas não sou meus pensamentos.

Eu sou o que permanece, um centro puro de percepção,
uma testemunha impassível de todos esses
pensamentos, emoções, sentimentos e desejos.

Palavras de Sabedoria


Ramana Maharshi foi considerado por muitos um dos maiores sábios do nosso tempo. Viveu na Índia, de 1879 a 1950, e nele se notava total ausência de distinção entre homens e mulheres, entre castas, credos, raças e religiões, entre um príncipe e um lavrador, e entre um asceta e um pai de família. Seu sentido de igualdade ia além dos seres humanos e abrangia animais e plantas. Ele acreditava que cada criatura, desde o homem até o menor dos insetos, é manifestação do Ser Supremo, do Único Imperecível.

Ramana Maharshi nada queria de ninguém. Estava inteiramente satisfeito com a plenitude do Ser Supremo. De seu espírito emanava silenciosa onda magnética capaz de estimular grandes transformações e importantes descobertas interiores nos demais. Permanecia em silêncio a maior parte do tempo. Mas, às vezes, ao responder às perguntas dos visitantes, deixava entrever, também em palavras, sua sabedoria:

Que significa renúncia?
Ramana Maharshi - Deixar o ego.

Qual a melhor postura do corpo para o exercício espiritual?
Ramana Maharshi - Qualquer uma. Contudo, a postura para o Caminho é imaterial. Postura realmente significa firmeza, estabilidade, imperturbabilidade, posição característica do Ser. Essa é a postura. Encontre o Ser, permaneça n'Ele, e não dê importância a posturas.

Não consigo chegar bastante fundo dentro de mim.
Ramana Maharshi - É errado dizer isso. Onde você está agora, senão no Ser? Aonde você quer ir? Tudo o que de fato é necessário é crer firmemente que você é o Ser.

Como o Senhor pode dizer estar o coração do lado direito, enquanto os anatomistas afirmam estar ele do lado esquerdo do peito?
Ramana Maharshi - Que o coração físico esteja do lado esquerdo, é indiscutível. Porém, o coração de que falo fica do lado direito. É a minha experiência. O cosmos inteiros está ligado a um pontinho no coração.

Como pode o Todo Imanente, Deus, residir no coração?
Ramana Maharshi - O coração não é um lugar. Olhe para dentro. O coração não é físico. É o ponto central de onde surgem todas as coisas.

No coração podemos encontrar nosso laço indestrutível com o universo cósmico. E, uma vez que sentimos nele esse universo como presença viva, nossa consciência se eleva muito acima do egoísmo. Advém-nos uma satisfação interna que é completa em si mesma e que nada tem a ver com as circunstâncias externas da vida.

Quanto mais interiorizamos a atenção, mais nos deixamos atrair e guiar por essa imensa e misteriosa presença espiritual que reside no coração.

Fonte: www.yoga.pro.br





Perguntas e Respostas
1
Falar em pessoas iluminadas e não iluminadas não seria uma visão dualista?

Sim, é uma visão dualista. Costumamos dizer, no Zen, que todos já estão iluminados, somente não o percebem. Mas temos que ter cuidado com estes paradoxos do pensamento no Zen. A mente intelectual não pode alcançar o Zen. Usamos as palavras porque não há outra maneira, mas sempre haverá enganos e armadilhas no discurso. É preciso ir além, senão ficaremos como teólogos discutindo os detalhes. A compreensão é perfeita sem palavras, como quando entendemos uma anedota. Se for explicada , perde a graça.


2

Mas existe uma diferença entre os dois estados de consciência (iluminação e não-iluminação)?

Existe. Um discípulo perguntou a um mestre:
- Qual a diferença quando eu me queimo e o senhor se queima?
- Nenhuma diferença, é a mesma coisa, mas eu sei disto e você não.

3

Por que não acordo?

Porque a prática é fraca ou insuficiente. Muito dificilmente se chega lá apenas pensando, estudando, ou mesmo acumulando poderes e sabedorias. Chega-se por meio da meditação correta. Nada mais do que isto.

4

Sei bem que a personalidade é algo montada, artificial e transitória. Sinto-me tendente a fazer a defesa desta personalidade barulhenta e inconveniente. Quero saber como posso aprender apreciar e entender o medo que me resta.

Penso que esse medo é um belo instrumento. Deve-se e mergulhar nele. É preciso meditar e morrer, morrer sinceramente, perder tudo completamente, deixar
extinguir toda essa ilusão de separação, toda essa ilusão de um eu construído, que não tem como sobreviver a cada dia e morre a todo instante.
Quero dizer com isto que você precisa sentar em meditação e deixar realmente que este medo mais do que se apresente, que ele se impregne em você até que você seja apenas medo e então se pergunte "quem é este que tem medo? onde ele está?

5

Há uma história no livro do Rev. Ricardo Gonçalves (Textos Budistas e Zen-Budistas) "Hakuin e a Jovem Iluminada", em cujo final consta "A Iluminação do Zen está longe de matar os sentimentos inerentes ao ser humano".O senhor poderia comentar esta frase?

Vou contar outra história e penso que tudo se esclarecerá:
Um mestre recebeu uma carta que comunicava a morte de um parente e começou a chorar sentado em uma pedra. Chocado, um aluno aproximou-se e disse:
- O senhor ensinou-nos sobre a impermanência, sobre o Dharma, sobre a clara percepção das coisas e agora está chorando por causa de uma morte?
O mestre parou de chorar, olhou para ele, e disse:
- Seu idiota! Eu estou chorando porque eu quero! E voltando a baixar a cabeça, retornou a soluçar
tristemente.

6

Se nós já temos a iluminação, apenas não enxergamos as coisas corretamente, qual o sentido de nossa busca?

Você já tem em potência, mas não a realizou. Para realizar, precisa enxergar.

7

Como é a conduta dos mestres?

Melhor que falar sobre a conduta dos mestres, é explicar sobre os passos do caminho: primeiramente, a pessoa percebe as questões de entendimento, a
vacuidade, a interdependência a ilusão da individualidade e assim vai progredindo em um caminho que, obrigatoriamente, engloba uma conduta ética que é consequência lógica desse entendimento.

É comum então a aparência de uma virtude muito grande, uma aura de santidade. Quando este estágio é superado, com a iluminação real, a santidade e a virtude são deixadas de lado. Na realidade,
o próprio Budismo será deixado de lado.

Homens iluminados podem ter uma conduta incompreensível, a chamada louca sabedoria.

8

A transmissão mente a mente é a única e verdadeira forma de compreender o Dharma?

Em absoluto. Basta ver os numerosos métodos e escolas existentes. Porém, no Zen (e outras linhas Mahayana), a transmissão pessoal é considerada um
método poderoso. A iluminação, sem esse auxílio, é vista como uma extrema raridade dentro das escolas Zen.

9

É possível julgar as ações de um Mestre iluminado?

Existe, em geral, uma crença de que é possível discernir com precisão o que é certo e o que é errado. No Zen, acredita-se que essa capacidade, por parte de um indivíduo não iluminado, é relativa, visto estar contaminada pelos condicionamentos gerais que todos carregam.

Até mesmo o método de julgamento ensinado no sutra teria uma efetividade relativa, se empregado por um ser imperfeito em seus julgamentos.

Trata-se da crença de que as regras são suficientes para indicar o caminho da virtude. Do ponto de vista do zen (e, creio, do mahayana em geral), esse é um bom caminho, mas limitado a um determinado ponto, em que a fronteira entre o certo e errado começa a ficar embaçada. A partir de certo estágio, somente uma compreensão iluminada pode discernir a melhor ação em uma determinada circunstância. As regras tornam-se o que são: letras no papel. Em um
nível absoluto, não pode haver distinções baseadas em regras ou leis.

É um problema filosófico não somente no budismo: para julgar os atos do Deus cristão, dizem estes que a mente humana seria incapaz. É, em síntese, o mesmo caso: a mente não iluminada não detém capacidade para apreender e julgar os atos da iluminação. Do contrário, o mestre zen, ao dar uma bastonada no aluno, não passaria de um ser violento. É um exemplo bem primário, sei, mas o utilizo porque fácil de decodificar.

Basta aumentar o nível de complexidade, para que o julgamento se torne obscuro e impossível para o praticante: ele não tem meios mentais para julgar os atos de um mestre, que podem estar muito à frente de seu julgamento no tempo, e visar a coisas incompreensíveis à mente comum.

10

O Buddha não disse que todos os seres podem e vão alcancar a Iluminação,independentemente de qualquer fator?

Até mesmo a existência dos seres é uma delusão. A crença em um samsara eterno é produto do pensamento de que os carmas não podem se esgotar. Não é verdade, visto que há surgimento e cessação de todos
os movimentos, já que que eles tendem a se manifestar e se compensar.

Também ajuda pensarmos em termos matemáticos: "dado tempo suficiente, todos os eventos possíveis sucederão". E tempo é o que não falta.

A afirmação que você questionou surge da crença que:

1) Existem seres individuais (que permanecem e se libertam ou não no tempo);

2) Esses seres são separados e têm algo permanente (que os individualiza e portanto pode 'não se salvar');

3) O samsara é permanente e eterno (dentro de um ciclo sim, mas o que é eternidade?);

4) Há seres privilegiados que se libertam (de novo noção de individualidade separada).

Estes pontos contrariam aquilo que é aceito no budismo mahayana. Basta ver o voto do bodisatva:

"Mesmo que os seres sejam inumeráveis eu faço o voto de salva-los todos", repetido sempre nos centros zen.

11

Existem exemplos de pessoas que fizeram o caminho de esquecer de si mesmas e que são felizes assim?

O caminho do asceta leva à virtude, não à iluminação. Nosso objetivo não é a santidade, mas a iluminação. Isso é que é felicidade plena.

12

Uns meses atrás, coloquei um alimentador para colibris em frente da janela da sala. Sentado na sala, vejo quando um vem, bebe e vai; cada um é uma pequena maravilha de penas verdes e azuis iridescentes, quando voa pairando no ar, bebendo... Fico encantado e, às vezes - à s v e z e s - durante uma longa fração de segundo - suponho - pois nao sei - o mundo pára em beleza e tudo tem um sentido que nao é meu. Por que esses momentos de abertura não duram? O que representam eles na caminhada para a iluminação?

Penso que representam muito. São a demonstração de que você tem capacidade para se iluminar. Através da meditação, você começa a desenvolver a capacidade de
chamar esse maravilhamento quando deseja, cada vez mais fortemente. Chamamos a isso de samadhi, concentração plena no momento. Eles não duram porque surgem novos pensamentos que, invasivos, nos tiram do
presente e nos levam a considerações, passado ou futuro. Para fazer durar, você precisará estar plenamente naquele agora. Na meditação, você aprenderá a ficar assim cada vez mais tempo. Depois, por longos minutos. Pode ser tão maravilhoso que cria uma armadilha: um estado tão feliz que queremos ficar nele, mas ele ainda não é iluminação, é "maravilhamento". Será preciso ir além disso. Mais profundamente que essa plenitude de felicidade por estar "aqui, agora", livre de todo o carma acumulado, dissolvido na experiência tal como ela é.

13

Como o senhor avalia a frase de um místico cristão: 'fique sem movimento e conheça a Deus'?

A mim parece um bom resumo do Zen. (1) Ficar ser movimento mental é destruir a mente conceitual que, aliás, é muito forte em geral em todas as pessoas inteligentes.(2) Esta abstenção de movimento é obtida através da prática da meditação. Essa experiência lhe fará muita diferença.

14
Católicos, protestantes, muçulmanos, etc. também podem alcançar a iluminação?

Impossível, nesse contexto de palavras, não classificar e distinguir...não conversaremos sem usar a mente discriminativa até mesmo quando usamos os termos que designam as tradições.

Sim, o Dharma, para nós budistas, é o ensinamento supremo. Mas daí acreditar que outras tradições não possam alcançar a iluminação através do reconhecimento direto, vai uma distância.

Elas podem. O Zen não detém o monopólio da iluminação, nem o budismo o detém. O zen está focado em atingir a iluminação, descarta o resto. Algumas
formas budistas nem têm como objetivo alcançá-la nesta vida porque o creem difícil agora, e pretendem, por exemplo, adiá-la para depois de estar em condições melhores.

Dessa forma o zen considera que detém uma metodologia de prática efetiva e crê na possibilidade de iluminação aqui, agora.

15

É possível fazer uma comparação do ensinamento budista com o célebre exemplo da caverna de Platão?

Uma analogia é algo limitado, útil somente até determinado ponto.

Na analogia da caverna, Platão imagina seres que estão ao fundo de uma caverna e interpretam o mundo atrávés das sombras que a luz externa projeta na parede. Nenhum deles jamais saiu de lá.

O mundo do samsara, o mundo das ilusões em que vivemos, é assim: um mundo de sombras que interpretamos e nas quais vemos relações. Lá fora existe uma luminosidade pura que permite que tudo surja por meio de sombras.

Mas a luminosidade não são as sombras e as sombras não são a luminosidade. No entanto, estão tão ligadas que, sem a luminosidade, as sombras não existem, e sabemos que há luminosidade porque há sombras.

A vacuidade, o Vazio (o não manifesto, o incondicionado, o além de características) é, nesta analogia, a luminosidade. As sombras, as nossas
percepções, as palavras os símbolos com que tentamos entender a luminosidade, através das interpretações que fazemos das sombras.

Não admira que seja tão difícil duas pessoas se entenderem, quando um quer que surja a lógica através dos raciocínios que faz com palavras (semiótico) a respeito das sombras e dos relatos sobre estas relações, e o outro, por sua vez, deseja falar sobre a luminosidade, também usando símbolos criados através do estudo das sombras para explicar que a luminosidade está "além" de qualquer sombra.

No Zen, diríamos de imediato que: "As sombras e a luminosidade não são um e também não são dois"

Ou seja, a luminosidade externa é não definível pelas sombras, as sombras,embora manifestação que só surja se existe luminosidade, estão num nível inferior de complexidade que não permite que, com elas, analisemos o nível superior. Assim como as pedras e sua ciência não esclarecem a biologia, como a fisiologia do cérebro não esclarece a consciência: podem, no máximo, dar uma sombra da manifestação mais complexa.

Se é útil este ensinamento baseado nas sombras? Com certeza, a maior parte dos ensinamentos budistas são assim. Deve-se falar no "além" disso? Com certeza, sob pena de nos recusarmos a virar e sair da caverna. Iluminação seria isto? De certa forma sim. Samsara (as sombras) e nirvana (fora da caverna) são o mesmo? Sim e não, os dois não são um, mas também não são dois, e os bodisatvas são os que retornam para dentro da caverna e falam sobre a luminosidade, porém não podem iluminar ninguém, podem apenas dizer:saia, saia, vire-se, isto aqui são só as sombras, vc mesmo é sombra!

Porém, sem ver a luminosidade não é possível entender. Nessa analogia (limitada, lembre-se), iluminação é mergulhar na luminosidade. O mundo das sombras, assim, fica paupérrimo.

Nirvana é, vendo isto, livrar-se de todas as relações entre sombras, ficar sem "ventos" internos. Pode-se estar no Nirvana e não ser um bodisatva. Parinirvana é dissolver-se em pura luminosidade.

Assim sendo, com o vocabulário e as técnicas úteis dentro de um âmbito, não podemos entender o outro. É preciso sempre abandonar a caverna para, mergulhados na luminosidade, compreender que aquele mundo é inexprimível para o expectador da face de pedra interna.

16

De que adianta chegar à iluminação se, no final, tudo dá no mesmo?

Não, não dá no mesmo. Como onda, você está irremediavelmente obrigado a se manifestar. Se você se ilumina, pode escolher até mesmo não mais se manifestar, escapando da Roda. Sem a iluminação, você é apenas arrastado, sem escolhas.Aqui parece que estou dizendo que existe algo como alma, mas não é assim, é o movimento cármico que se extingue no iluminado.

17

De que adianta o individuo escapar desse mundo se o ponto final é ser absorvido no todo?

Se o indivíduo é ilusão, querer permanecer é a prisão. Escapar não é ser absorvido no todo, é descobrir-se o todo. Descobrir-se o todo é ver a face
original, é a experiência religiosa mais profunda, a morte de si. Mesmo no Cristianismo, isso surge: veja Paulo, que diz "não sou mais eu quem vive, mas Cristo que vive em mim". São Francisco de Assis "é morrendo que nascemos para a vida eterna". No budismo: 'a experiência do nada é a maneira de engolir o universo'.

18

Jurar renunciar à busca da iluminação porque é impossível alcançá-la enquanto o processo seja uma meta consciente do eu: esse pensamento me tocou profundamente. Poderia falar mais a respeito?

No Zen dizemos que quando sentamos em iluminação já estamos iluminados. Se você sentar procurando por ela, não poderá encontrá-la, porque estará procurando algo para si mesmo e isso implica continuar agarrado ao ego.
Ou seja, sentar-se sem nada mais querer é um ato iluminado.

19

O único caminho para alcançar a iluminação é através da meditação?

Não. Alguém pode se iluminar apenas ouvindo um ensinamento, por exemplo. Mas essa é apenas uma possibilidade teórica. Mesmo Buda praticou meditação por seis anos antes da iluminação. Os mais fantásticos mestres tiveram muito trabalho para chegar lá. Mesmo que você acumule muitas vidas de dedicação terá uma chance em milhões sem meditar.

Agora pergunto: por que adiar uma prática tão preciosa sobre qualquer ponto de vista? É dura e difícil, mas é a essência do zen. Aliás, a palavra "zen" quer dizer "meditação".

20

Por que os iluminados continuam no mundo?

Para a mente iluminada, há ação neste mundo de fantasmagoria, não se abdica dele por ser não existente.

21

Se não existe nada para reencarnar, obviamente tudo se extingue após a morte. Sendo assim para que buscar a iluminação?

Nem tudo, o karma persiste, o que se extingue é o ilusório, a energia kármica prossegue se manifestando.
Você busca a iluminação para acordar e escapar do sofrimento causado pelo fenômeno vida em que você está aprisionado.

22

Para se livrar do fenômeno 'vida' em que estamos aprisionados, não bastaria esperar a morte?

Sim, mas embora não haja identidade para sobreviver, novo fenômeno se origina deste karma não resolvido. E você pertence ao universo,do qual não pode escapar.Nesse sentido, jamais pode morrer ou desaparecer, está preso a se manifestar como fenômeno já que é uma onda kármica.

23

Como o carma pode funcionar para cada indivíduo, se a individualidade é apenas ilusão? A parte que me causa problema é imaginar que a individualidade é totalmente ilusória. Se o que o que o senhor diz é a verdade, parece que se anularia a noção de progresso: o universo daria sempre no mesmo. Para que ter consciência se, na cena final, na vitória final,vai-se compreender que o ego e a individualidade são sustentados pela desejo ardente de defender o 'eu'? O ser consciente chega a essa realização e a consciência, com esse valioso conhecimento e com vidas de experiência, se apaga?

Muito interessante a pergunta. Até porque é exatamente assim que o universo parece se comportar. Ele não parece ser infinito. Se o fosse, quando você saísse ao relento, à noite ,o céu seria branco, reluzente como o sol, porque para qualquer ponto que você olhasse, veria uma estrela e, na infinitude, não haveria pontos sem luz.

Para o Budismo, os universos são cíclicos e múltiplos. Não se destinam ao surgimento de seres, simplesmente acontecem 'big bangs' e colapsos finais em que tudo desaparece, ou em entropia, ou em 'crunchs'. Mesmo assim, tais explicações não importam ao Budismo, que não tem como objetivo dar explicações científicas, mas visa à libertação. Obtida esta, o próprio Budismo deve ser abandonado, como um barco que serviu para atravessar um rio.

O carma tem repercussões nas ondas de manifestação individuais, que não são o mesmo 'eu', tal como a chama que acende uma vela não é a mesma chama. Mas, de outro ponto de vista é a mesma chama... Assim são as vidas, chamas que são passadas, sem individualidade, mas guardando suas características.

Os tempos universais têm progresso, mas ele não é contínuo e há retrocessos. Não tenho dificuldade em imaginar a onda de um criminoso nazista se manifestando em um cachorro sarnento em um país miserável por milênios, até que seu carma se esgote... Também basta colocar o pé na Alemanha para ver que os jovens alemães de hoje sofrem o carma que herdaram do passado de seu país. Temos o carma de nosso país, de nossa família, de nossa onda individual, de nosso planeta...

O Vazio a que pertencemos tem tudo. Nós é que nos perdemos nesta pequenas e limitadas manifestações individuais. Nada há para ser perdido. Nem para ser obtido. A iluminação é libertação desse eu aprisionado, limitado, sem conhecimento. Um universo cessa quando seus carmas se esgotam, quando a energia se equilibra sem distinções. Querer guardar algo, obter algo para um eu individual é a cegueira básica que impede a iluminação.

A iluminação já está aqui, agora, só não a vemos porque a ilusão do eu deseja obter sabedoria, poder, vitórias, conhecimentos, mergulhando-nos em um sonho sem fim. É por isso que despertar desse pesadelo é que faz de um homem um Buda. Buda, afinal, quer dizer, Desperto, O que acordou.

24

A experiência mística (kenshô) é a iluminação?

Antigamente ela era tratada como tal. Contudo, ter uma experiência de kenshô (teofania, êxtase religioso) pode dar resultados apenas temporários, como uma lembrança espetacular, e não alterar realmente a vida do praticante. Portanto, tem todo o sentido um professor perguntar: 'muito bem, e daí? O que mudou realmente em suas atitudes? A prática não é ter uma experiência, é praticar continuamente.

25

O que é o Satori?

É uma experiência definitiva, revolucionária, um cair de céus e terra que muda profunda e permanentemente a pessoa. Distingue-se do kenshô por
sua permanência e pela aptidão para ser recuperado a qualquer momento por quem o possui. É também chamado de iluminação, embora haja numerosos níveis de
profundidade em sua qualidade.

26

O uso de drogas pode abrir caminho para a iluminação?

Mergulhar em ilusões provocadas pela alteração do funcionamento cerebral só pode tornar ainda mais difícil a liberação. Ela depende de imensa clareza, de limpeza dos processos mentais. As alucinações e alterações da percepção só nos distanciam da clareza, sem considerar os danos permanentes que podem ocorrer.

27

As atividades neste mundo de egoísmo não impedem o caminho espiritual? Como se iluminar sem ser um monge?

Todas as nossas atividades no mundo podem ser meios hábeis para a iluminação. Procure ler o Sutra de Vilamakirti, que era discípulo de Buda e grande comerciante; nenhum dos outros conseguia vencê-lo em sabedoria. A lição é de que não é a atividade em si o problema, mas a mente com que ela é feita. Você pode ser um vendedor e estar agindo com compaixão a todo o tempo, mesmo que isso não seja transparente para os que o vêem. O livro 'A doutrina zen da não mente' de D.T. Suzuki também lhe pode ser útil. Os atos são aparentemente os mesmos, a postura interna é que muda. Para algumas pessoas, isso aparece e elas perguntam: - o que há de diferente em você?

Como Vilamakirti demonstrou, não há necessidade alguma de sermos monges; esta é apenas uma forma mais fácil de prática, não necessariamente mais meritória, apenas um caminho para os que desejam ajudar outros.

28

A história de Mestre Sawaki, respondendo 'não' à pergunta se teria obtido a iluminação, não me parece ter um ensinamento budista evidente. O senhor pode esclarecer?

Essa história é muito bonita: se ele dissesse 'sim,' estaria consciente do satori, uma contradição; se estivesse consciente, não teria a 'não mente' e, portanto, não teria o satori. Quando ele disse não, o discípulo que estava à beira do entendimento repentinamente percebeu o significado da resposta, por isso chorou. Não chorou por se sentir magoado, mas por se emocionar com o entendimento da não mente (mushin) que o mestre tinha.

Fonte: www.dharmanet.com.br


Maharshi e a busca
do verdadeiro eu

Ramana Maharshi (1879-1950) é considerado um dos maiores sábios da idade moderna. Nascido no sul da índia, aos 17 anos ele teve a experiência da iluminação e perdeu o interesse pelas coisas do mundo. Em seguida, abandonou o lar sem a permissão dos pais e foi viver retirado junto à montanha sagrada de Arunachala.
Durante vários anos, Ramana manteve silêncio completo. Quando sua mãe foi até seu retiro implorar que voltasse para casa, ele escreveu em um pedaço de papel: "0 destino da alma é determinado por seu carma maduro, prarabda-carma. 0 que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. 0 que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. Quanto a isso, não resta dúvida.

Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio."
Quando ele saiu do regime de siêncio total, formou-se ao seu redor um ashram - uma comunidade de aprendizes. 0 escritor Paul Brunton, aluno seu, teve papel decisivo na popularização mundial do seu ensinamento. A sabedoria de Ramana conquistou o Ocidente, e Cari G. Jung escreveu uma introdução para um dos livros que reúnem seus ensinamentos.
A principal técnica meditativa de Ramana Maharshi consiste em perguntar "quem sou". Gradualmente, aquele que persevera na investigação dessa pergunta se liberta de tudo o que não é seu verdadeiro eu. Essa técnica de jnana ioga coincide com o diagrama de meditação ensinado por Helena Blavatsky a seus discípulos mais próximos. Nos dois casos, o praticante aprende a identificar-se com o espaço e o tempo infinitos.
De fato, Ramana vivia na consciência eterna e fora do tempo cronológi-co que, para ele, era uma ilusão. Certa vez, ao ganhar de presente uri calendário, afirmou: "Você me dá um novo calendário para ajudar-me a lembrar dos dias, quando eu tenho sérias dúvidas sobre em que ano nós estamos. 0 tempo é todo urna coisa só para mim." Em outra ocasião, Paul. Brunton contou a ele que havia ido a um determinado encontro social, ruas que havia sido "urna perda de tempo". Ramana comentou: "Se o temo não existe, corno é que você consegue perder tempo?
A seguir, fragmentos de um diálogo interno com a obra de Rarrana Maharshi - tal como o desenvolvi em Brasília, reexaminando seus livros em minha biblioteca, entre as árvores do Sítio Céu e Terra.

-Qual o objetivo mais elevado da experiência espiritual?
-Maharshi - A compreensão do eu superior.
-
A solidão é necessária ao buscador?
-Maharshi - A solidão está na mente do homem. É possível estar em plena vida mundana, mantendo-se, contudo, ú a serenidade perfeita da mente; tal pessoa está sempre em solidão. Outra pessoa pode permanecer na floresta e, ainda assim ser incapaz de controlar sua mente. Não se pode dizer que esteja em solidão. A solidão é uma atitude da mente; o homem apegado às coisas da vida não pode alcançar a solidão, onde quer que esteja. Um homem desapegado está sempre em solidão.

-O que é mouna (silêncio mental)?
-Maharshi – É o estado que transcende a linguagem e o pensamento, é a meditação sem atividade mental. A subjugação da mente é meditação; a meditação profunda é a linguagem eterna. O silêncio é a linguagem eterna; é o fluxo perene da “linguagem”, eterna. O silêncio é a linguagem eterna; é o fluxo perene da “linguagem” (...) Existe um estado em que cessam as palavras e prevalece o silêncio.

-Como se pode pode obter o estado de bem-aventurança eterna, em que não há sofrimento?
-Maharshi – Além da afirmativa dos Vedas de que onde quer que haja um corpo existe sofrimento, essa é também a experiência direta de todas as pessoas; portanto, o buscador deve investigar a sua verdadeira natureza que é sempre destituída de corpo, e deve permanecer nela. Esse é o meio de alcançar aquele estado.

-O que significa dizer que o buscador deve investigar a sua verdadeira natureza e compreendê-la?
-Maharshi – Experiências como “eu fui , eu vim, eu estava, eu fiz" vêm naturalmente a todos. A partir dessas experiências, nao parece que a consciência "eu" é a autora daqueles vários atos? A investigação da verdadeira natureza daquela consciências enquanto se preserva a consciência de si mesmo, é o meio de compreender a verdadeira natureza do buscador.
-Como se deve investigar "quem sou eu"?
-Maharshi - Ações como "indo" e "vindo" pertencem apenas ao corpo. Assim, quando alguém diz "eu fui, eu vim isso significa dizer que o "eu" é o corpo. Mas será possivel dizer que a consciência do corpo é o "eu" já que o corpo não existia antes do meu nascimento (...), não existe no estado de sono profundo e se torna um; cadáver quando morto? Será que esse coroo que está inerte como um tronco de árvore pode ser considerado brilhante como um "eu"? A consciência chamada "eu" que surge em primeiro fuga em relação corpo é descrita de várias maneiras como auto-ilusão, egocentrismo, ignorância; maya, impureza e alma individual. Será que podemos deixar de lado a investigação sobre isso? Não será para nosso bem que todas as escrituras afirmam que eliminar a auto-ilusão produz a libertação? Desse modo, deixando que o corpo-cadáver permaneça como corpo, e nem esboçando sequer a palavra "eu", devemos investigar intensamente o seguinte: "O que é que se apresenta como um 'eu'?" Então brilhará no coração uma espécie de revelação sem palavras do verdadeiro eu. Isto é, surgirá por si mesma a pura consciência que é una e ilimitada, porque desapareceram os pensamentos diversos e limitados. Se permanecermos quietos e sem abandonar essa experiência, o egocentrismo, o sentido individual, a sensação "eu sou o corpo" serão totalmente destruídos, e no final a sensação de "eu" também será apagada (...). Os grandes sábios e as escrituras dizem que só isso é libertação.
-Dos meios de controle da mente, qual é o mais importante?
-Maharshi - O controle da respiração e o creio de controlar a lente.
-Embora a prática da retenção da respiração seja perigosa e deva ser evitada, a respiração profunda e outros exercícios, respiratórios moderados trazem serenidade e são, de fato, um meio central de controle da mente. O senhor pode dizer mais sobre isso?
-Maharshi - Não há dúvida de que o controle da respiração é o meio de controlar a mente, porque a mente, como a respiração, participa da natureza do ar; porque a natureza da mobilidade é comum a ambos; porque o lugar de origem de ambos é o mesmo, e porque; quando um deles é controlado, o outro também é controlado.
-Qual a importância, da dieta do aprendiz?
-Maharshi - O alimento afeta a mente, e a torna mais sátvica (vital, vibrante, rítmica) para a prática de qualquer ioga. Vegetarianismo é absolutamente necessário.
-A aparição de visões ou o escutar de sons místicos durante a meditação ocorrem antes que a mente concentrada esteja imóvel e vazia ou depois?
-Maharshi - Podem ocorrer tanto antes quanto depois. O importante é ignorá-los e continuar prestando atenção apenas ao eu, ao ser.
-Sou digno de ser um aprendiz?
-Maharshi - Todos podem ser aprendizes. O alimento espiritual e comum a todos e nunca é negado a ninguém.

VENKATARAMAN - nome dado por seus pais, nasceu em Tiruchuzi, pequena aldeia no sul da Índia, a 30 de dezembro de 1879. Sua infância foi igual à de todos os meninos de sua época. Porém, aos doze anos seu pai faleceu e a família foi morar com um tio na vizinha cidade de MADURA.
Aos quatorze anos preparava-se para entrar na Universidade de Madras, no entanto sentia que aqueles estudos não tinham qualquer utilidade para ele, pois a sabedoria do mundo material não poderia torná-lo consciente da verdade de Ser.
No fim do ano de 1895, o jovem Venkataraman, ao encontrar um tio que vinha de uma peregrinação, abordou-o com a pergunta:

“De onde está vindo?”
“De Arunachala.” Foi a resposta.


A aparente simplicidade da frase de seu tio encontrou profundo eco em seu coração, como se a palavra “ARUNACHALA” lhe despertasse alguma sutil recordação. Em julho de 1896, na tenra idade de dezessete anos, Ventakaraman teve a experiência extraordinária, que transformou Sua vida e despertou-O para o verdadeiro significado do SER: sentiu que se integrava no universo, e perguntou:
"Quem sou eu? Minha consciência não é atingida." Então compreendeu que era independente do corpo físico, da mente e dos sentidos. Sentia apenas o pulsar cósmico e concluiu: "Sou Consciência". Depois disso, Ramana Pouco tempo depois deixa a casa do tio e parte para Tiruvannamalai em direção ao Monte Arunachala - local onde o Deus Shiva apareceu a seus devotos na forma de uma coluna de luz.instalando-se em cavernas e templos. Com a chegada de muitos discípulos, mudou-se para um Ashram construído ao pé de Arunachala, onde recebia pessoas de todas as partes do mundo para aprender com ele. Durante os cinqüenta e quatro anos seguintes, sua vida foi um exemplo vivo de Suprema Paz, Compaixão Universal e Auto-Consciência incessante. Ele ensinou o Caminho do Auto-Conhecimento e a Auto-Renúncia através da Vichara (a pergunta ¨Quem sou Eu?¨).Quando se estava próximo a Ele, as ondas incansáveis da mente eram acalmadas: corações aflitos encontravam conforto e paz e os buscadores sinceros da Verdade encontravam a Suprema Beatitude. Sri Ramana deixou de ser apenas um admirável Mestre da Índia. Saltou dos quadros que enfeitam os altares dos templos para dentro de nossa existência. Ordenou a Sri Maha Krishna Swami que fizesse, no Ocidente, a Grande União entre os homens, tornando conhecida e acessível a todos a Verdade de Ser. Foi por sua vontade que Sri Maha Krishna Swami instalou-se no Brasil, a terra apontada pelo Sat Guru como o local onde seriam preservados os sagrados ensinamentos de todos os Grandes Mestres, onde também seriam vivificados e tornados acessíveis a todos.
A sabedoria de Bhagavan é insofismável, não está limitada às palavras, ela toca a essência de cada um: é a força do silêncio, a Upadesa Sharanam, que irradia de Sri Ramana para todos. Ao codificar o caminho da autoconscientização, Sri Ramana criou, efetivamente, a solução para todos os que buscam o autoconhecimento. Até então, o acesso à sabedoria dos Mestres era exclusivo dos reclusos do silêncio. Sri Ramana mostrou um caminho possível de ser trilhado livremente, conforme as condições da vida moderna.
Certa tarde em que estava sozinho em casa, sentiu que iria morrer. Deitou-se com os membros distendidos, susteve a respiração, mantendo a mente em completa introspecção e o corpo inerte; sentiu toda a força de sua personalidade e até mesmo ouviu a voz do SER dentro de si, totalmente apartada do corpo. ¨O corpo morre, mas o espírito que o transcende é imune à morte. Isso quer dizer que sou um Espírito Imortal¨
Daí em diante sua absorção no Ser é permanente. No dia 14 de abril de 1950, Sri Bhagavan deixa o corpo. Entretanto, muitos devotos, espalhados por todos os rincões do planeta, até hoje, crêem firmemente em suas palavras quando inquirido sobre Sua partida: “Para onde mais poderia Eu ir?”
Este é o Santo Sábio que, em Seu silêncio e olhar de bem-aventurança, segue vivo nos corações de todos os seus discípulos.

"O destino da alma é determinado segundo seu prarabdha-karma. O que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. O que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. Quanto a isso, não resta dúvida. Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio."

"A consciência do corpo é o 'Eu' errado. Desista desta consciência-corpo. Isto é feito através da busca da fonte do 'Eu'. O corpo não diz 'Eu sou'. É você quem diz 'Eu sou o corpo'. Descubra quem é este 'Eu'. Procurando a sua fonte, ele irá desaparecer. Seja o que você é. Não existe nada para ser manifestado. Tudo o que é necessário é a perda do ego. A verdade de si mesmo é a única que vale a pena ser buscada e conhecida. Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos. Todos os seus esforços devem ser dirigidos para a superação desta tela, e então a realização é revelada. Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desaparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma. Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego"


A verdade de si mesmo é a única que vale a pena ser buscada e conhecida.
Realização não é nada a ser adquirido. Ela está sempre aí, mas obstruída por uma tela de pensamentos.
Realização é simplesmente a perda do ego. Destrua o ego pela procura da sua identidade. Uma vez que o ego não é nenhuma entidade, ele automaticamente desaparecerá, e a realidade irá brilhar por si mesma.
Este é o método direto, enquanto todos os outros se concretizam somente através da retenção do ego"

Sri Ramana Maharshi



A sabedoria, o conhecer a si mesmo, é uma das maiores dificuldades que existem. Não deveria ser assim, mas é. E porque?

Porque existem dois caminhos para o auto conhecimento, para a iluminação. O 1º caminho é descobrir-se. O 2º caminho é buscar a si mesmo através dos outros e é por isso que tantas pessoas enchem as igrejas, templos, mesquitas, sinagogas, etc. Vão buscar a verdade através dos outros – isso é muito fácil – mas a verdade encontrada nos outros não é sua verdade e ela tem que ser sua.

Ninguém que sabe o seu caminho, nenhum iluminado, nenhum santo pode te transferir a verdade, te transferir a vida. Você deve viver a vida. Quem pode viver por você? Você pode ler milhares de livros sobre o amor, pode assistir todos os filmes sobre o amor e pode escutar todos os pregadores falarem sobre o amor; mas se não tiver amado alguém, não saberá o que é o amor. Como alguém pode amar por você? Como alguém pode descobrir a sua verdade? A verdade é sua, o caminho é seu.

É como o Amor, o seu amor, você precisa viver isso.

Hoje a maior religião do mundo é o Islamismo e seus seguidores proclamam:

Alá é o único Deus. Maomé é o único Profeta, O Alcorão é o único Texto Divino.

Os Católicos, segunda maior religião do mundo proclamam: Jeová é o único Deus, Jesus é o único Profeta, A Bíblia é o único Texto Divino.

O Hinduísmo, terceira maior religião do mundo proclama: Shiva, Vishnu, Bhahma são os únicos Deuses.

Os Vedas, os Tantras são os únicos livros, Krishna, Shiva, Buda são os únicos Profetas.

Quem tem razão? Seriam os Islamitas que são em maior número?

Ou será que todos tem a sua razão, e todos esses mestres: Jesus, Buda, Shiva, Maomé, etc., vem somente para mostrar um atalho – dar dicas – para descobrirmos a nossa verdade, o nosso caminho?

O buscador verdadeiro vai atrás da sua própria verdade, ele tem esperança, paciência, garra e sempre vai buscando; Buscando a vida dentro de si. Buscando a verdade. Quem pode viver por você?

O Buscador diz: não estou repetindo coisas que ouvi por aí – busquei por mim. Eu vivo intensamente.

Hoje quando ligamos a tv, vemos um monte de pregadores de plantão que dizem o que você deve fazer ou não fazer. Olhe nos olhos dessas pessoas. Você vê felicidade ou vê miséria?

O curioso desses "iluminados de plantão" é que todos tem o mesmo corte de cabelo, usam as mesmas roupas e falam todos com o mesmo tom de voz – estão todos imitando alguém. Tudo é ensaiado, os gestos, a voz, os movimentos das mãos. Essas pessoas nunca viveram, são papagaios que só sabem repetir o que uma pessoa disse a eles. Os políticos também são assim e na história da humanidade o que os políticos e as religiões trouxeram de bom?

Hoje há tantos pregadores e o mundo está cada vez pior, tantos políticos e religiosos querendo viver por você; e o mundo como está?. No passado esses pregadores queimavam mulheres, destruíram culturas, assassinaram pessoas. Os pregadores mataram mais, muito mais, que qualquer coisa, e ainda hoje matam com misérias, guerras, conflitos, etc. Hoje temos tantas igrejas e templos, como está a humanidade? Os "Papagaios Espirituais" falam o que querem sobre o amor e a paz, e só criaram miséria e violência, porque? Para quê? Porque não vivem o que pregam? E você, vive o que prega ou é só mais um papagaio?

Uma pessoa que conhece a si mesmo e vive realmente a vida, dançando, celebrando, brincando, criando e principalmente amando, jamais é um fanático, jamais fica seguindo um só caminho, pois sabe que a vida tem tantos caminhos, tantas possibilidades e tantas faces. É tolerante com todos os caminhos, cristãos, budistas, hindus, etc., mas tem seu próprio caminho.

Os católicos (880 milhões) dizem que Jesus e a Bíblia são o único caminho. Os mulçumanos dizem que Maomé e o Alcorão são o único caminho. E agora? Agora. Olhe para você. Qual é o seu caminho? O que você está fazendo com sua vida?

Eu estudei em várias escolas teológicas, místicas, filosóficas, esotéricas, em várias partes do mundo e na maioria só encontrei palavras, teoria, racionalizações, etc. e pessoas buscando felicidade, colocando informações na memória.

O coração não era tocado. Não havia vida e sim palavras. Os teóricos não tem vida no coração. Falam sobre vida, e não à vivem .

Ou Você Vive Ou Você Não Vive! Não fique imitando os outros, seja você mesmo, assuma a responsabilidade pelo seu caminho. Abra espaço para Deus agir em você, abra espaço para a oração. Até nas orações, as pessoas vivem imitando os papagaios. Como isso é possível?

Eu vejo muito mais alegria da alma numa danceteria, do que num templo. As pessoas que dançam, celebram a vida, tem muito mais conteúdo de alma do que quem somente fica repetindo rituais sem vida.Se o seu caminho é o caminho da oração; faça-a com seu coração, e não com sua mente.Existem papagaios que repetem tão bem tudo sobre Deus, messias, "salvadores" e paraíso, que parecem ter vivido tudo isso. Será que viveram realmente? A oração é uma prece, a súplica da própria alma; não ficar repetindo palavras.

Osho nos ensina:

"A prece e a vida não podem ser aprendidas. Você precisa passar pela vida com os olhos abertos, com um coração compreensivo, para chegar a orar. Então, a prece será sua. Ela brotará de seu coração, verterá de seu coração. As palavras não significam muito – é o coração que está por trás delas.

Mas pode-se aprender muito através da mente; pode-se esquecer completamente o coração – porque o coração cresce através da experiência, e a mente cresce através... do pensamento. E o pensamento é simplesmente morto. Não existe nenhum crescimento através do pensamento. Você pode ficar dando voltas na mente. A mente é apenas um computador, um computador biológico que coleta informações. O mesmo pode ser feito por um computador, ainda melhor do que sua mente. Mas o coração não é um computador. O coração é totalmente diferente da mente: ele não coleta, não tem memória – simplesmente vive cada momento; responde ao momento vivo de uma maneira viva."


Otávio Leal