sábado, 26 de fevereiro de 2011

kundalini....

Kundalini, a cobra cósmica, é o símbolo da energia cósmica que se revela também no sexo. É o primeiro chakra, o da sexualidade genital. Freud deteve-se principalmente nessa dimensão. Por isso, toda a sua psicologia, por mais genial que seja, já que ele é um pai fundador desse campo de conhecimento, é bastante limitada, demasiado falocêntrica e muito patricêntrica.

Jung se contrapunha a Freud, argumentando que a primeira experiência da criança não é com o pai, mas com a mãe. Somos mais matricentrados do que patricentrados, porque ligados umbilicalmente à mãe desde o momento da concepção; o pai entra numa fase posterior. Freud abominava a mãe, transava pessimamente a sexualidade e deixou de ter relação sexual com quarenta e poucos anos. Jung não tinha esse problema, por isso elaborou outro tipo de psicologia. No meu modo de ver, ele apresenta um espectro mais amplo. No entanto, como a nossa cultura é genitalmente centrada e há mesmo um desvio quase coletivo nesse aspecto, Freud é objetivo e bom para corrigir e curar. Mas se vou para um oriental, um africano ou um indígena que não tem esses problemas e levo Freud, estrago-lhes a mente.

Não há contradição entre a kundalini como energia cósmica e a teoria de Freud sobre sexo. Só que ele se restringiu a uma fase da kundalini, a fase genital. Os místicos do ioga, que trabalham muito os chakras, dizem: uma verdadeira experiência de amor tem a sua dimensão genital, mas, se ela se restringir a essa dimensão, é extremamente encurtada. Ela deve passar por todos os sete chakras, até chegar ao sentimento interior, a experiência da infinitude, da iluminação, que capta a dimensão cósmica do amor. Quem faz a ativação desses sete chakras tem uma experiência da totalidade da libido humana.

Nossa cultura não faz uma experiência da sexualidade como dimensão ontológica que atravessa todo nosso ser. Faz uma experiência genital, de alívio de uma tensão, nada mais. Não faz da sexualidade uma experiência mística da totalidade do ser humano enquanto homem, enquanto mulher, que têm a dimensão da subjetividade, do pensamento, da intimidade, da transcendência e da experiência mística. Todos os místicos celebram o encontro com Deus como imenso banquete ou como acasalamento de amor. Desde o Cântico dos cânticos a são João da Cruz e santa Teresa. São Boaventura fala até de orgasmo. Porque eles de fato experimentaram isso ao tocarem Deus. A experiência de amor, que se realiza nas pessoas, dá a chance a todo mundo. A natureza não nega a ninguém fazer uma experiência de transcendência, de encontro com Deus, a experiência da intimidade, do amor como experiência cósmica e mística. Todo mundo faz esse percurso e também os celibatários. Jung dizia que se eles não geram pessoas, têm um parto cósmico, se autogeram. Por isso o voto de castidade, se bem entendido, não é um voto de desamor. É de superabundância de amor. Portanto, é um desafio viver de uma outra maneira a sexualidade, nessa dimensão que vai para além da genitalidade.


Autor: Leonardo Boff
Fonte:
Livro – Mística
e Espiritualidade

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

SÃO FRANCISCO DE ASSIS




Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

TANTRA=SEXO??

Algumas pessoas têm me procurado através deste site solicitando informações sobre ‘aulas de Tantra’. Como não sei exatamente o que elas entendem por Tantra, fico me perguntando como poderia ajudá-las a encontrar o que buscam, ou a evitar as armadilhas em que se arriscam a cair.
Para começar, vamos dizer o que o Tantra não é. Tantra não é um guru mequetrefe prometendo orgasmos múltiplos e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso. Tantra não é uma prostituta com nome de deusa oferecendo seus serviços na internet. Tantra não é um grupo de alienados carentes se excitando e alisando em nome da hiperconsciência. Tantra não é sacanagem, nem infidelidade institucionalizada. Tantra não tem nada a ver com "soltar a franga". Tantra não é tara.

Aquilo que os clones tupiniquins de Osho chamam de Tantra, não é o Tantra (por favor, veja o esclarecimento no fim deste texto, antes de se ofender e interromper a leitura. Obrigado!). Os cursos de Tantra associados à sensualidade, técnicas sexuais e promessas de iluminação através da excitação sexual têm como objetivo sustentar a forma de vida de certos autodenominados ‘mestres’, que buscam satisfazer seus próprios desvios sexuais e desejos de manipular pessoas, ganhando um dinheirinho de quebra.
Então, o que significa essa palavrinha de seis letras? Tantra é o nome de um vasto leque de ensinamentos práticos que têm como objetivo expandir a consciência e libertar a energia primal do ser humano, chamada kundalini. O princípio comum a todos os caminhos práticos de Tantra é que as experiências do mundo material podem usar-se como alavanca para conquistar a iluminação, já que este é a manifestação de uma outra realidade, sutil e superior, que está conectada com a nossa própria natureza.

Nesse contexto, a visão do Tantra associada ao êxtase sexual é pateticamente superficial e parcial, se comparada com a verdadeira tradição. O Tantra não é hedonista nem orgiástico. O objetivo do Tantra é o despertar da força potencial no homem.

Um colega, professor de Yoga, comentou recentemente que apenas 10% dos textos tântricos tratariam sobre sexo. Pessoalmente, acho esse número demasiado elevado. Dos muitos shastras que consegui garimpar na Índia, em sânscrito e em inglês, não têm sequer um que trate em detalhe da sexualidade. Algumas técnicas sexuais, como a reabsorção seminal após a ejaculação (vajroli), se descrevem, por exemplo, na Hatha Yoga Pradípika.

A única obra hindu que conheço que trata explicitamente sobre sexualidade, e como aumentar a performance na cama, é o Kama Sutra, que não é um shastra tântrico e que, por sinal, fala muito mais sobre ética do que você poderia pensar sem ter a obra em mãos (1).

Embora existam diversas vertentes dessa tradição, todas têm o mesmo objetivo e usam as mesmas ferramentas para atingi-lo: mantras (sons de poder), yantras e mandalas (diagramas sagrados sobre os quais se exerce a concentração), chakras (centros da força vital), práticas de iniciação e purificação e um sistema ético que une e protege o grupo de praticantes. Essa lista de práticas é incompleta, pois os métodos dessa tradição incluem um espectro muito amplo de crenças e técnicas.

Tantra significa literalmente tecido, urdidura; pode ser traduzido como ‘espargir o conhecimento’ ou ‘a maneira certa de se fazer qualquer coisa’, tratado, autoridade, estender, multiplicar, continuar.

Também designa o encordoamento do sitar ou outro instrumento musical. É o nome de um movimento filosófico que compartilha suas principais premissas com a filosofia do Yoga, herança e patrimônio da cultura dos rios Indus e Sarasvati. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano.

O Tantra assimilou e organizou os rituais da Magna Mater, transformando-os num método de emancipação que busca na psique humana a manifestação da própria força da Shakti. Esse movimento teve uma forte influência sobre a religião, a ética, a arte e a literatura indianas, havendo ressurgido com inusitada força entre 400 e 600 d.C., quando chegou a transformar-se numa moda que acabou por influenciar nos modos de pensar e agir da sociedade indiana medieval. Aqui ela se afirma, populariza e estende ainda mais, dando origem a um grande número de correntes e manifestações filosóficas, religiosas, mágicas e artísticas, algumas antagônicas.

"Não se trata de uma religião nova, senão de uma nova caracterização de fatos que pertencem ao hinduísmo comum, mas que, às vezes, só se apresentam precisamente em suas formas tântricas. Percebe-se o selo do tantrismo na mitologia e na cosmogonia, mas, principalmente, no ritual. O gérmen se remonta com freqüência aos Vedas, especialmente ao Atharva Veda, que pode considerar-se um hinário pré-tântrico." Jean Renou, El Hinduismo, p. 89.

O Tantra não pertence à tradição ortodoxa hindu, já que não existe um darshana com esse nome. Sua visão do mundo é herança e síntese da Índia aborígene e da Índia vêdica, muito mais antigas do que imaginaram os estudiosos ocidentais do século XIX. É uma forma de ver a vida e cada um de seus aspectos.

Há diferentes linhas do tantrismo: o Dakshinachara, linha da ‘mão direita’, ou de tantrismo branco, se justapõe, através dos “rituais de compensação”, ao Vámachara, corrente da ‘mão esquerda’, do tantrismo negro, corrente na qual se destaca a escola Kaula, fundada por Matsyedranatha por volta de 900 d.C.
O tantrismo negro se caracteriza pelos rituais de transgressão, como o pañchamakara (os cinco m), no qual o praticante utiliza a ingestão de bebidas embriagantes, carnes e o coito ritual como meios de chegar à sacralidade. Podemos identificar alguns desses rasgos no Rig Veda, nas libações ceremoniais do soma e nos rituais sexuais. No ritual de compensação do Dakshinachara, o vinho é substituído por água, a carne por coco seco, o coito pelo culto da Shakti, etc.

O Yogini Tantra (V:14) diz:
"Madya, o vinho, é o conhecimento intoxicante do Parabrahman adquirido através do Yoga, que isola o praticante do mundo exterior. Mamsa não é a carne, mas o gesto em que o sadhaka consagra todos seus atos à Shaktí. Matsya, o peixe, é o conhecimento sáttvico pelo qual o adorador sente compaixão pelo prazer e a dor de todos os seres. Mudra, o cereal tostado, simboliza a renúncia a todas as formas do mal, que conduzem a novos condicionamentos. Maithuna é a união da kundalini shakti com Shiva no corpo do adorador."

Um dos artigos de fé do povo vêdico era, portanto, que a união sexual conduzia à bem-aventurança do além e devia cumprir-se com verdadeiro espírito religioso para assegurar o bem-estar espiritual, censurando-se severamente a lascívia." S. B. Lal Mukherjí, ensaio em Shakti y Shakta, de Sir John Woodroffe, p. 83.

A visão cosmogônica do Tantra, com suas perguntas essenciais, evidencia uma atitude especulativa sobre a antropogênese que a vincula ao Samkhya. A cosmogonia se caracteriza pela união dos opostos: isto é, se trata de uma coincidentia oppositorum, conjunção dos opostos que se complementam. Essa idéia não é original do Tantra: existiu em outras cosmovisões ao longo da história da Humanidade; mas o tantrismo recupera para si esse princípio, muito mais antigo que ele próprio.

Esses dois princípios em coincidentia oppositorum são Shiva e Shakti. Os rishis, sábios ascetas do alvorecer do pensamento hindu, chamaram Brahman ou Shiva o princípio primordial. Tudo existe em função dele, tudo é reflexo e evidência da sua realidade. Não há noção de criação do mundo nem há Deus: no plano macrocósmico, Shiva é, parafraseando Aristóteles, o motor imóvel do mundo. É o Princípio Imutável e Eterno, nem ativo nem criador. Ele não faz nada: apenas é. Sua manifestação é Shakti, palavra que significa energia e, por extensão, esposa. Shakti é a Prakriti, a Natureza do Samkhya, a energia criadora que provoca a manifestação do Universo.

Shiva é inabalável: a ele pertencem o Ser e a Consciência; à Shakti correspondem o movimento, a mutabilidade e a geração. Esses dois princípios se representam na iconografia do tantrismo unidos no viparíta maithuna: Shiva aparece deitado ou sentado, imóvel, enquanto Shakti está sempre sobre ele, ativa no ato da manifestação.

Esse modo de pensamento não é religioso, dogmático ou doutrinário, mas estritamente especulativo. Dessa maneira, o Tantra, assim como o Samkhya, se aparta de outras visões que incluem os conceitos de criação, divindade, origem do mundo, et coetera.

Contudo, o Tantra possui uma certa semelhança com algumas formas de panteísmo: O que está aqui, está em toda parte; o que não está aqui, não está em parte alguma (2). Daí provém o culto à Natureza e à feminilidade. Para o Tantra, o mundo tangível é bem real: ilusório é pensar que o Ser (Shiva) intervenha ativamente no Universo manifestado.

Agora, vamos falar um pouco sobre a parte do Tantra que se ocupa do sexo ritual. A incompreensão do Tantra e o simbolismo que o transmite colaborou para considerá-lo repulsivo, vergonhoso e digno de escárnio. A preocupação daquele que condena o Tantra é fruto da sua própria obsessão com a questão sexual, que o leva a querer coartar a liberdade dos demais. Nesse sentido, o tantrismo é totalmente natural, e a sua abordagem do sexo não é patológica, mas absolutamente sadia, de uma espontaneidade difícil de aceitar para os padrões da ‘decência’ cristã.
Maithuna
, o ritual sexual, não tem nada a ver com pornografia ou licenciosidade, muito pelo contrário, é um instrumento que revela a dimensão divinal da natureza humana. Entretanto, nos últimos tempos, têm surgido mestres inescrupulosos que vendem sexo como se fosse superconsciência, o que acaba por divulgar e tornar conhecidas no Ocidente unicamente as formas mais vulgares e degradadas do Tantra

"O maithuna é a técnica tântrica que mais fascina os ocidentais, que com demasiada freqüência confundem-na com uma indulgência para com os apetites sexuais, em vez de vê-la como meio para dominá-los." Daniel Goleman, A Mente Meditativa, p. 98.

Enquanto alguns buscam a elevação através da repressão ou da eliminação do desejo sexual e suas raízes (samskaras), para o tantrismo a sua utilização é condição básica. O homem deve evoluir executando as mesmas ações que causam a sua perdição. Assim, afirma o Kularnava Tantra:

Quando caímos no chão, é com o auxílio do chão que nos levantamos.

"Pelo próprio fato de não se tratar de um ato profano, mas de um rito, no qual os participantes não são mais seres humanos senão que estão ‘desprendidos’, como deuses, a união sexual não participa mais do nível kármico. Os textos tântricos repetem com freqüência o adágio: ‘pelos mesmos atos que fazem com que muitos homens se queimem no inferno durante milhões de anos, o yogin obtém a salvação eterna’. (...) O jogo erótico se realiza num plano transfisiológico, porque nunca tem fim. Durante o maithuna, o yogin e sua náyiká (4) incorporam uma ‘condição divina’, no sentido de que não somente experimentam a beatitude, senão que podem contemplar diretamente a realidade última." Mircéa Éliade, El Yoga. Inmortalidad y Libertad, pp. 194, 197.

Um esclarecimento a eventuais leitores desatentos: quando escrevo "clones tupiniquins de Osho", não estou, de maneira alguma, querendo ofender Osho ou seus discípulos. Um clone é uma cópia. No dicionário encontramos a seguinte definição de clone. É "o que aparenta ser a cópia de uma forma original". Tupiniquim, ainda segundo o dicionário, significa "indígena pertencente ao grupo dos tupiniquins. Uso: informal, jocoso ou pejorativo". Um "clone tupiniquim", portanto, é um imitador que não chega aos pés do original; uma cópia malfeita, chinfrin, um imitador barato, um auto-didata aspirante a "mestre" de sexo tântrico. Conheço algumas pessoas desse naipe que, por exemplo, promovem cursos de "nudismo consciente" e outras palhaçadas. Minhas desculpas se o tom de algumas seções deste texto ofende pessoas que consideram que o Tantra seja mesmo uma terapia sexual. Na dúvida, perguntem ao Dalai Lama, um tântrico da melhor estirpe. Namastê!

Pedro Kupfer
Fonte: www.yoga.pro.br


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Não queira adoecer...




Se não quiser adoecer - "Fale de seus sentimentos." Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

BUDDHA



A palavra buddha tem dois significados. O primeiro refere-se à essência da mente, que é e sempre foi a verdadeira natureza de cada ser. O segundo refere-se a alguém que revelou completamente esta natureza búddhica. O ouro dentro do minério, por exemplo, tem as mesmas qualidades antes e depois de o minério ser refinado. O processo de refinamento não faz o ouro ficar melhor. Ele simplesmente remove tudo que não seja ouro do minério, fazendo as qualidades do ouro ficarem completamente óbvias. O processo análogo de revelar nossa natureza intrínseca, que é como o ouro, é o que chamamos de alcançar a iluminação ou estado búddhico.

CHAGDUD RINPOCHE

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A Dualidade Complementar do UNO

Shiva é silêncio. Shakti é poder. Shiva é criatividade. Shakti é criação.Shiva é amor. Shakti é amar. Essas qualidades não são opostos, mas complementos. O que é uma descrição perfeita do Matrimônio Sagrado. Quando duas Energias Cósmicas: Shiva e Shakti estão conectadas, o Fluxo da Paixão faz surgir um Potencial Criativo Ilimitado. O Lado Apaixonado de Deus é Shakti, a Deusa. A Paixão foi o Presente que ela trouxe quando se casou com Shiva, também é o Dom que as Mulheres levam aos Homens hoje. O Princípio Feminino é desejável pela própria natureza. Anima a consciência com excitação e desejo, funde os opostos na união. Transforma o Caos numa Dança.Você tem o direito de nascença, de ser essa paixão.

terça-feira, 26 de outubro de 2010







POESIA KARIRI-XOCÓ



Minha aldeia é bela
Muito boa de se viver
Tem rio e mata
E alegria pode crê
Se fosse mais apoiada
Seria lindo de se ver

Tem muita cultura
Tem tradfição de verdade
Tem o rio São Francisco
Que é a nossa felicidade
Que nos dá vida
Alegria e coragem

Nossa mata e bela
Precisa ser cuidada
Para não acabar
Nem ser matada
Por pessoas más
Não pode ser maltratada

Eu não posso deixar
O lixo aqui nascer
Precisamos nos ajudar
Para assim, melhor viver
E limpar a aldéia
De verdade, pode crê

Se ela fosse
Mais apoiada
Seria muito bom
De ser cuidada
E todos eram felizes
Com problemas de nada

Mais tudo segue
E só posso pedir
Que ajude a tribo
A melhorar e seguir
Para um futuro próximo
E todos serem feliz

autor: Yassury Santos

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Maracá no contexto indígena

Faz-se necessário para o estudo do Maracá descobrir mais acerca da palavra. Segundo o dicionário Aurélio maracá seria:

1. Instrumento chocalhante que era usado pelos índios nas solenidades religiosas e guerreiras; bapo, maracaxá, xuatê.

2. Chocalho que acompanha certas músicas e danças populares, como, p. ex., o samba e o baião.

3. Chocalho que serve de brinquedo às crianças.

Seguindo a primeira hipótese buscamos na literatura clássica sobre xamanismo citações sobre o uso do maracá entre os indígenas. E encontramos citações bem interessantes, entre elas:

“Embora a indumentária ritual seja bastante rara na América do Sul, certos acessórios do feiticeiro fazem as suas vezes; entre eles podemos citar o maracá, chocalho, feito de cabaça em cujo interior há grãos ou pedrinhas, sendo munido de um cabo. Esse instrumento é considerado sagrado, e os tupinambás chegam afazer-lhe oferendas de alimentos.” (A. Metraux apud. Eliade, 1951)

Além dessa citação, no livro "O Xamanismo e As Técnicas Arcaicas do Êxtase" de Mircea Eliade, encontrasse uma outra menção ao maracá. Está citação faz, para os indígenas, um paralelo do maracá com o universo, isto é, dentro da cabaça do maracá estaria contido um universo.

"Se o tambor é o instrumento do xamanismo na Sibéria e na América do Norte, na América do Sul é quase totalmente substituído pelas maracás. Tal como o tambor siberiano, que se diz ser feito da árvore do mundo, também o cabo da maracá sul-americana simboliza esta árvore, ao passo que o volume oco do instrumento propriamente dito simboliza o cosmo. As sementes, cristais ou seixos contidos no seu interior são os espíritos e as almas dos ancestrais. A agitação da maracá torna os espíritos ativos, que então passam a prestar assistência ao xamã." (Eliade 1951)

Em seu estudo sobre as origens incas do culto a ayahuasca o pesquisador Eduardo Bayer em seu livro "O Verdadeiro Inka", traz um relato deveras interessante, pois em seu segundo anexo trata da tradução de um texto conhecido como "Historia do Futuro" escrito pelo Padre Antônio Vieira e a partir dele traça um paralelo entre o uso indígena da ayahuasca com a posterior cristianização da bebida através de Raimundo Irineu Serra. No entanto o que nos importa aqui são os trechos do documento de Pd. Antônio Vieira em que trata do maracá. Reproduzindo na integra o dialogo entre a tradução de Bayer e os escritos de Vieira segue:

"... Para inteligência do verdadeiro entendimento deste texto ou enigma, se há de supor que a palavra latina cymbalum, com que significamos os nossos sinos de metal, significa também qualquer instrumento com que se faz som e estrondo; e tais eram os címbalos de que usavam antigamente os Gentios, que se chamavam por nomes particulares sistros, crótalos, ou crepitáculos e por nome geral címbalos. (...) Também se há de supor que os Maranhões usavam de uns instrumentos que chamavam maracás, não de metal, porque o não tinham, senão de cabaços ou cocos grandes, dentro dos quais metiam seixos ou caroços de várias frutas, duros e acomodados a fazer muito estrondo e ruído, servindo-se dás menores nas festas e nos bailes e dos maiores nas guerras. Estes maracás eram propriamente os seus címbalos ou sinos, tanto assim que, depois que viram os sinos de que nos usamos, lhes chamam itamaracás, que quer dizer, maracás ou sinos de metal.

(...) As maiores embarcações dos Maranhões chamam-se maracatim, derivado o nome da palavra maracá, que como dissemos, significa entre eles sino e a razão de darem este nome às suas maiores embarcações era porque, quando iam às batalhas navais, quais eram ordinariamente as suas, punham na proa um destes rnaracás muito grandes, atados aos gurupés ou paus compridos; e bulindo de indústria com eles, além do movimento natural das canoas e dos remeiros, faziam um estrondo barbaramente bélico e horrível; e porque a proa da canoa se chama tim, tirada a metáfora do nariz dos homens ou do bico das aves, que têm o mesmo nome, e juntando a palavra tim com a palavra maracá, chamavam àquelas canoas ou embarcações maiores maracatim, e este nome usam até hoje, e com ele nomeiam os nossos navios.

[...] Digo, pois, que fala o texto de verdadeiras asas de aves. Como aqueles gentios não tecem, nem têm panos, é grande entre eles o uso das penas pela formosura das cores com que a natureza vestiu os pássaros, e particularmente o chamado guará, de que há infinita quantidade, grandes e todos vermelhos, sem mistura de outra cor; destas penas se enfeitam quando se querem pôr bizarros, e principalmente quando vão à guerra, ornando com elas todo o gênero de armas, porque não só levam empenadas as setas, senão também os arcos e rodelas, e as partasanas de pau e pedra que chamam fanga-penas e quando a guerra era naval, empavesavam-se as canoas com asas vermelhas dos guarás, e as mesmas levavam penduradas dos gurupés e maracás das proas; e por isto o Profeta diz que todas estas cousas via e notava como tão novas: chamou as lanças sinos e sinos com asas: Navium alis, cymbalo alarum”. (Bayer Neto, 2003)

Ainda no texto de Bayer encontramos uma passagem interessante quando este cita José Francisco Rocha Pombo que em seu livro Historia do Brasil (Ilustrada) traz uma passagem sobre o maracá.

" Rocha Pombo faz referência de que o Tapuia mais puro teria sido aquele que os portugueses encontraram em Porto Seguro depois da Páscoa de 1500, e declara: “Entre os Tapuias, uma tribo poderosa toma o nome de Maracá e é sem dúvida a nação sagrada: pois um precioso manuscrito da Biblioteca Real que atribuo a Gabriel Soares a coloca nas imediações de São Salvador, privilegiada região que parece ter sido outrora a metrópole selvagem destas nações indianas. Sirva de instrumento para guiar as danças guerreiras, ou represente a divindade, o que é certo é que o nome de maracá se acha. mais ou menos alterado, em grandes números de denominações indígenas. Entre os Tupis, que seguramente o tinham tomado aos Tapuias, era o maracá de um uso menos misterioso e mais geral: era uma simples cabaça (porungo) oval, ornada de penas vermelhas e azuis de arara. Um cabo ornado a atravessava, e agitando-a, o índio fazia retinir na cabaça os grãos (de milho ou de feijão) que lhe punha dentro. Sem arriscar uma hipótese inverossímil, pode bem ser que este fosse destinado a recordar simbolicamente o ruído do trovão, que todos estes povos reverenciavam” (Rocha Pombo). O que se sabe é que o maracá foi o tabernáculo das mais antigas tribos brasileiras, através do qual os indivíduos abriam um espaço ritual para a comunicação com seus deuses, sendo por isso venerado com o respeito devido a um objeto sagrado.

Maracá pode até ter sido o nome original deste continente meridional, que de Amaracá na expressão indígena, segundo Rocha Pombo..." (Bayer Neto 2003)

Como se não bastassem por si só estes trechos para ilustrar a importância que tem o maracá em seu contexto indígena podemos lembrar ainda, que além da tribo Maracá citada por Rocha Pombo, existe ainda um ritual xamanístico entre os Asuriní do Xingu com o nome de Maraká. Este ritual foi estudado pela pesquisadora Regina Polo Müller da UNICAMP e seu texto faz parte da coletânea "Xamanismo no Brasil" lançada pela editora da UFSC.

Apesar do que se esperava no ritual Maraká dos Asuriní, não se usa o maraká, pois "o meio físico através do qual se desencadeia a metamorfose" do xamã da condição humana para a sobrenatural é a fumaça do charuto de tabaco chamado petym. No entanto este ritual tem características similares a "pajelança" de demais grupos indígenas através da representação da doença e do uso de danças e cantos nos seus ritos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010







'FORÇA DAS MATAS''

''PAZ COM A MÃE TERRA''
Deveríamos ser o coração e a mente da Terra!Então paremos de pensar somente nas necessidades da humanidade, e enxergamos que ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com ela. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar e não uma turba esfacelada liderada por senhores de guerras brutais. Precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato nosso lar".



SEMEADORES DO BEM

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009




NOVO AMANHÃ

Venho trazer / um preceito e erguer / as minhas mãos / ao Te oferecer

Toma esse canto / Enxugue seu pranto / Eu não sou santo / Sou igual a você


Os vícios do ego são tantos / Mas no entanto existe um Poder

Além desses medos errantes / O Cosmos acena um novo dever

Sei que ainda anceio / Um novo amanhã / Ainda anceio / Um novo amanhã

Ainda anceio / Um novo amanhã / Mas quando não mais anceio / Eu faço amanhã

Oráculo Musical-Chandra Lacombe

domingo, 13 de dezembro de 2009



Estamos no portal de um Novo Tempo.

Nenhuma instituição ou relacionamento estará livre de revisões.
O que aprendemos até agora será revisto.

As profecias falam de um Mundo Novo que nascerá das cinzas do velho.
O caos é o princípio de algo novo.

Vivemos dias de purificação para entrar na época da libertação espiritual.
Na Nova Era a humanidade fará descobertas incríveis sobre os astros, sobre a ciência e a consciência humana.

Será o momento da Consciência Crística, da expansão da consciência, da liberdade, do amor incondicional, da paz, da verdade, da independência. A fraternidade, a união e o companheirismo serão os fundamentos das relações entre as pessoas.

O homem/mulher evoluirão para uma nova consciência.
Se religarão com o Sagrado de todo o Universo.
Farão melhor uso de suas potencialidades psíquicas e intuição.
O amor será a resposta para os problemas, e o perdão a forma de conduta.
A Luz de Deus brilhará no coração do ser humano.
O ser humano aprenderá a honrar a Mãe-Terra, respeitando e amando a natureza.

O Planeta será amado e protegido. O homem/mulher aprenderão novas formas de viver.
Todos terão o seu valor.
As crianças por serem as sementes do futuro.
Os jovens por sua força.
Os velhos por sua sabedoria.
E, todos colaborarão juntos para uma vida pacífica e harmoniosa na Terra.

A música e a arte evoluirão.
Poderemos nos comunicar com seres que habitam outras estrelas.
Não temeremos a morte, pois teremos consciência da vida eterna.
Teremos uma nova cadeia alimentar, muitos carnívoros se alimentarão de vegetais, acabando com a matança absurda dos animais.
O ser humano não se comunicará apenas com seus espíritos, mas também com os espíritos dos animais, plantas, pedras, e de toda a Criação, pois estamos todos interligados.

Haverão sinais no Sol, na Lua e nas Estrelas.
Serão sinais de Boas Novas.
Apocalipse significa revelação.
Todas as religiões guardam os segredos de Deus.
Jesus Cristo, Buda, Krishna, Lao Tsé, Maomé, Shiva , Davi, Moisés e outros, foram os defensores desses segredos.

Quando a humanidade retornar à espiritualidade, os segredos serão revelados e os antigos Iluminados do Mundo, se manifestarão, agradecendo a raça humana pela obra.
A obra já está acontecendo por todas as partes. Você pode acreditar e se engajar, ou pagar para ver.
Haverão seres humanos vivendo um nível de consciência mais alto do que os demais. A Nova Era permitirá que o Espírito Interior se expresse por si mesmo, e que cada alma procure o seu próprio nível.

Nova Consciência – Nova Era, Nova Humanidade, Novo Mundo, Novo Horizonte, Novo Homem.

Amor – Paz e Luz !

(www.xamanismo.com.br)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Prece Xamanica




PRECE XAMÂNICA


“Ensina-me Grande Espírito,

a conectar-me com o pacto que minha alma fez Contigo,

amplia minha memória

para que jamais esqueça o serviço

que me prestei a fazer nesta existência.”




Do livro "Preces xamânicas" de Alba Maria